segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Cidadão Boilesen

Assisti ao documentário Cidadão Boilesen ontem de manhã. Não sou uma espectadora assídua de documentários, mas achei a construção da narrativa realmente muito boa e absolutamente repleta de fontes valiossímas. O enfoque do documentário é a descrição histórica do apoio civil com que contou a ditadura pós 64. É muito intrigante e inquietante observar a forma como se arquitetam as relações de poder e como essas relações manipulam e dominam pra manter o seu poder. O nome que leva o filme é o nome de um empresário que se envolveu pessoalmente com o aparelho estatal e que gostou tanto da "coisa", que desenvolveu uma máquina para aprimorar os "serviços" realizados pela OBAN e sua turma. A máquina foi pensada e projetada pelo simpático empresário, mas foi confeccionada pelos nossos hermanos da america do norte, grandes sábios na arte da covardia. O nome do aparelho desenvolvido foi chamado de pianola boilesen. Sabe-se lá se por ironia, truculência, indiferença ou estupidez mesmo é que a máquina foi se chamar assim, mas, convenhamos: que tipo de pessoa sente orgulho em colocar seu próprio nome numa coisa dessas? Resultado: 25 tiros na cabeça. Não foi só uma execução, mas uma execução cheia de raiva. A violência vem dela mesma.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

British Politics

At a fringe meeting at last month’s Conservative party conference, one of the speakers began a defence of British bankers’ bonuses (£7 billion this year) by observing that “When God gave out brains, he didn’t give them all out equally, and so we have to live in an unequal society.”

Os liberais-conservadores são desse tipo de cérebro menos abençoado por deus, mas que tiveram grande sorte na vida e um espírito suficientemente hipócrita pra dizer uma heresia dessas. Os Liberais-conservadores precisam deixar de construir suas profecias baseado-se em Seu Próprio Umbigo . Posso concluir que deus está do lado deles?

Para ler o artigo de Mike Marqusee, Banks, Bonuses and "Brains": http://www.mikemarqusee.com/?p=1094

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Juizes optam por aborto diante de gravidez indesejada, aponta estudo

De 207 entrevistados que tiveram parceiras que engravidaram "sem querer", 79,2% abortaram

Pesquisa da Unicamp junto com a AMB é a primeira a retratar a opinião pessoal dos que operam a lei brasileira

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

Ao se confrontar com uma gravidez indesejada, a maioria dos juízes opta pelo aborto, revela uma pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em parceria com a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros). As informações constam de um levantamento maior, que investigou o que pensam os magistrados e promotores sobre a legislação brasileira e as circunstâncias em que o aborto provocado deveria ser permitido no país. Entre os 1.148 juízes que responderam a questionários enviados pelos Correios, 207 (19,8%) relataram que já tiveram parceiras que engravidaram "sem querer". Nessa situação, 79,2% abortaram. Das 345 juízas que participaram do estudo, 15% disseram que já tiveram gravidezes indesejadas. Dessas, 74% optaram pelo aborto.
Apesar de não representar a opinião da maioria dos magistrados (só 14% deles participaram da pesquisa), o trabalho é o primeiro a retratar a opinião pessoal daqueles que operam as leis sobre o aborto, tema que ganhou força no debate eleitoral. Os números refletem o que outras pesquisas populacionais já constataram: diante de uma experiência pessoal com a gravidez indesejada, grande parte das pessoas, mesmo as que seguem alguma religião, entende que a situação justifica o aborto.

MORAL

Na avaliação da antropóloga Debora Diniz, professora da Universidade de Brasília, o dado revela uma questão básica sobre temas moralmente sensíveis: uma coisa é como as pessoas agem e conduzem suas vidas, a outra é o que elas consideram moralmente correto responder sobre o tema.
"Aos 40 anos, uma em cada cinco mulheres já fez aborto no Brasil. Se perguntássemos a essas mesmas mulheres se elas são favoráveis ao aborto, a resposta seria incrivelmente diferente e contrária ao aborto", afirma Diniz, também pesquisadora da Anis (Instituto de Bioética Direitos Humanos e Gênero).
Incoerência? Para a antropóloga, não. Ela explica que temas com forte regulação moral, em particular pelas religiões, geram uma expectativa nas pessoas de haver respostas "corretas", que indicariam que elas são "pessoas boas".
"Cria-se uma falsa expectativa de julgamento moral do indivíduo. Por isso, um plebiscito sobre aborto é algo desastroso. As mulheres abortam, seus companheiros as ajudam e as apoiam, mas ambos serão contrários à legalização do aborto."
Hipocrisia? Na opinião do juiz João Ricardo dos Santos Costa, vice-presidente de direitos humanos da AMB, sim. "A sociedade é hipócrita e individualista. Não conseguimos nos colocar na condição do outro."
Ele provoca. "Até padres quando se veem em uma situação em que suas parceiras engravidam optam pelo aborto para manter a sua integridade religiosa [permanecer na igreja]. Os juízes são como todas as pessoas. Têm suas vivências e cargas de preconceitos", diz ele.
A pesquisa com os magistrados e promotores, publicada na "Revista de Saúde Pública", se baseou em questionários enviados a 11.286 juízes e 13.592 promotores, por meio das associações que representam as categorias. A taxa de resposta entre os juízes foi de 14%, e entre os promotores, de 20%.

MÉDICOS

Seis anos atrás, o médico Anibal Faúndes, professor aposentado da Unicamp e coordenador do estudo com os magistrados e promotores, coordenou uma outra pesquisa com seus colegas de profissão, os ginecologistas e obstetras. Um total de 4.261 profissionais responderam a questionários enviados pela federação que representa a categoria (Febrasgo).
Um quarto das médicas e um terço dos médicos relataram já ter enfrentado uma gravidez indesejada.
A maioria (80%) optou pelo aborto. Mesmo entre os profissionais para os quais a religião era muito importante, 70% escolheram interromper a gravidez. Quando a questão era a gestação indesejada de uma paciente, 40% dos médicos disseram já terem ajudado a mulher (indicando profissionais que faziam o aborto). A taxa subiu para 48% quando se tratava de um familiar e de quase 80% quando se tratava da sua parceira.
"As mais profundas convicções se rendem frente a circunstâncias absolutamente excepcionais. Todos somos contra o aborto, mas há situações em que ele é um mal menor", diz Faúndes.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Reflexões sobre a bondade do bem

"Como se vê, meu altruísmo é do tamanho de uma noz. Mas não creio ser mais egoísta do que a média dos humanos. Proponho ao leitor que também passe seus bons sentimentos no raio X, pois eles raramente não atendem a motivos autocentrados. Desconfio dos que se arvoram ser grandes corações, dos amores desinteressados, da vontade de parecer uma boa alma. Não quero dizer com isso que somos incapazes de altruísmo e solidariedade legitima, apenas que nosso preferencial objeto de compaixão e amor somos nós mesmos em uma medida maior do que estamos dispostos a admitir."

Diana Corso, na ZH de ontem.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sobre política, celebridades e hipocrisia

O candidato ao governo do Estado pelo PV fez um apelo para que "eu" me junte à "Marina, à Gisele Bünchen e tantas outras lideranças sociais" que estão engajadas na luta pela salvação do planeta. Invocar o nome da Gisele Bünchen e qualificá-la como liderança social é a prova da canalhice completa que impera entre esses que desejam compor o leviatã. Essa estratégia eleitoreira tem sido utilizada pela campanha de todos os candidatos - pelo menos foi o que observei em relação ao Executivo Federal. Eu queria dizer, enfim, que "nossos" neurônios são capazes de ir muito além da oca retórica sentimentalóide. Gisele Bünchen foi DEMAIS. É importante lembrar que a Gisele Bünchen, além de ser a mártir da futilidade e do consumo, desfilou com casacos de pele de bicho tão longos que alcançavam o chão, o que, na época, foi motivo de grande protesto. Se o candidato do PV, que é um homem honesto, conseguiu invocá-la para me persuadir à juntá-los, é porque a situação está realmente crítica. Está cada vez mais difícil construir argumentos sérios.

capitalices

Hoje estava assistindo a Globo News e anunciaram: "Os empresários esperam o melhor Dia da Criança em 6 anos". Eu sempre disse: essas crianças estão cada vez mais precoces.